terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

"Goodbye, sweet home"

Sempre pensei muito em despedidas, nunca achei que fossem ser fáceis, sempre quis ir embora, mas nunca dizer "adeus". Fecho os olhos, respiro fundo, agora meus pés já não estão mais dentro de casa, eu já tinha tentado me preparar há algum tempo.

Entro no ônibus e procuro uma janela, no banco mais alto, fico quieta, encosto minha cabeça no vidro e coloco os fones, as lembranças nem esperam a viagem começar para invadirem minha mente.

Por toda a minha vida eu vi um "entra e sai" dentro de casa, muita gente, coisa de casa de vó, família grande, confusão de parentescos, quase ninguém compartilhava sobrenome, cada qual a sua maneira, longe do tradicional.

Minhas lembranças favoritas são dos almoços em que todos os tios, primos e "agregados" se juntavam (de preferência em uma casa que não era a minha) e começávamos a falar sobre tudo, desde coisas sérias e mega interessantes, até as mais banais. Aliás, os papos mais longos quase sempre começavam com "Quando algum de nós ganhar na loteria...".

Toda a vez que eu ouvia essa frase, gostava de imaginar meu futuro brilhante, terminar os estudos da escola em algum colégio muito bom, conseguir viajar por aí e depois ir atrás da minha independência, mas também queria ver as mudanças dentro da família, ainda quero, já que a parte da loteria não rolou  (até agora, os planos só aumentam).

De repente minha música para, a próxima da playlist começa em um instante, melodia suave, a letra se encaixa perfeitamente com meus pensamentos do momento. Eu que detestava gente demais,  falando demais, sempre amei a "nossa" bagunça. Eu que já parei pra pensar várias vezes em como seria ganhar na loteria, demorei anos pra perceber que a galera, por si só, já é um grande prêmio.

 Eu que sempre vivi um "entra e sai" da casa da vó, agora tô saindo, tô indo embora, seguindo o caminho que sempre quis, sem roteiros, sem planos, se for destino ou coincidência, que seja o que tiver de ser, que venha o que vier.

Tô saindo, mas fica todo o amor, fica um pedaço do coração, fica o aperto no peito, a saudade de quem eu não tive a menos chance de me despedir, é claro que eu vou lembrar de quase tudo para sempre,  é claro que um dia eu volto pra visitar, agora que a coragem finalmente chegou, eu vou e é pra me jogar, mas eu sei que minha casa é sempre aqui.